20 de set de 2009

Ficha criminal


Nome: Pumba

Também conhecido como: Cão Ceifador, Pantera Negra Velha, Bueiro Aberto, Bafo de Satã, Mumm-Rá

Raça: Indefinida - não se sabe ao certo se é um cão

Idade: Indefinida - talvez imortal

Histórico: Pumba apareceu (é incerto se “nasceu” se aplica a ele) alguns anos trás e, a despeito de sua aparência alienígena e tentativas de dominação mundial, foi gentilmente adotado no meio oeste de Santa Catarina. Sempre teve em mente a completa aniquilação da espécie humana, plano que tenta sempre colocar em prática por meio de armas químicas ilegais e mortais.

Apesar de não possuir polegares opositores ou um cérebro ativo, é capaz de manufaturar as mais mortíferas bombas de gases, fruto do aterrorizante caldo de podridão alienígena que fermenta em seus intestinos cruéis.

Seu meio de dispersão das bombas é meticulosamente programado em suas ações de ataque. Primeiro ele se aproxima das vítimas rastejando. Uma vez posicionado, emite gemidos longos e lânguidos, de forma a chamar atenção e receber carinho. Esses sons, inclusive, foram classificados como “Pumba Music”, e devem ser lançados em breve no mercado. Quando saciado, entretanto, Pumba dispara uma inaudível massa de futum capaz de assassinar o mais forte dos humanos.

Máscaras de proteção se provaram insuficientes.

Fofoqueiro e reclamão, tem a capacidade de passar o dia todo rosnando pra si mesmo, provavelmente por não aguentar seu próprio odor cáustico.

Banhos constantes e tratamento da flora intestinal se provaram insuficientes.

Conservador por natureza, Pumba se recusa a ver outros cães se divertindo e tenta logo acabar com a festa, latindo, rosnando e restaurando a ordem de um mundo por ele dominado.

Fugir correndo dele também se provou insuficiente.

Já teve um gato de estimação. Quando este desapareceu sem deixar vestígios, Pumba disse nada saber e tinha álibi aparente para a data do crime. Perguntado sobre o paradeiro de seu gato, limitou-se a dizer “Procurem junto do Menino Carlinhos”.

Paradeiro atual: Dormindo em seu sarcófago e preparando a próxima carga de gases. O fim está próximo!


P.S.: Quer ter a “ficha criminal” de seu animal publicada aqui? Comente aqui. Aguardem atualizações.

3 de set de 2009

Focinho

Por trás de um simples focinho

Ah, se as pessoas soubessem o que há por
trás de um focinho,
Focinho úmido, geladinho,
Preto, marrom, desbotadinho,
Simples e lindos focinhos.

Ah, se as pessoas soubessem o valor de um focinho,
Focinho medroso ou metido,
Focinho manhoso, carinhoso,
Simples amigos focinhos.

Ah, se as pessoas tivessem ao menos um focinho,
Não sobre o próprio rosto,
Mas em carne, pelo e osso,
Fonte pura de carinhos.

Ah, se as pessoas protegessem os focinhos,
Focinhos que vivem sozinhos,
Amores desperdiçados; focinhos amargurados,
Focinhos pra todo lado.

Ah, se as pessoas conhecessem os focinhos,
Quanto amor, quanto carinho,
Anjos peludos, sem narizinhos.
Anjos fofos atrás de focinhos.

Ah, se eu pudesse ver todos os focinhos,
Amados e acolhidos,
Crianças da criação, anjos de bem querer,
Focinhos em plena evolução.

Ah, se as pessoas soubessem,
Quanto amor e dedicação,
Quanta vida, quanta paixão,
Quanto vale o amor de um cão (ou de um gatão).

Ah, se eu pudesse mostrar para todos,
o valor de um focinho,
A gratuidade de um carinho,
O que existe de verdade,
Por trás de um simples focinho.

Claudia Zippin Ferri

Um obrigado especial e cheio de carinho para minha irmâ, Cris, que me mandou esse poema maravilhoso.